Prolapso uterino: graus, sintomas, tratamento e quando a cirurgia é indicada
Por ser um assunto ainda cercado de silêncio, é comum que os sintomas do prolapso uterino sejam interpretados como algo natural da idade ou como uma queixa que não merece atenção médica.
Mas eles têm explicação e, principalmente, têm solução. O prolapso uterino pode ser tratado em qualquer grau, e procurar avaliação é justamente o que permite resolver a condição de forma mais simples.
Neste artigo, você vai entender como o que é prolapso uterino, quais sintomas provoca, quando procurar o ginecologista e quais são as opções de tratamento.
Se você reconhece algum desses sinais na sua rotina, vale conversar com um especialista.
O que é prolapso uterino e por que acontece
O prolapso uterino acontece quando o assoalho pélvico não consegue mais sustentar o útero na posição adequada. Esse assoalho funciona como uma rede de músculos e ligamentos que segura útero, bexiga e reto. Quando essa rede afrouxa, o útero desliza para baixo, em direção à vagina.
Vários fatores enfraquecem essa estrutura ao longo da vida.
As múltiplas gestações são a causa mais frequente, especialmente no caso de partos vaginais múltiplos ou traumáticos, porque distendem e podem lesionar os músculos pélvicos. A menopausa entra como segundo grande fator, já que a redução do estrogênio deixa os tecidos menos firmes e elásticos.

Somam-se a isso os esforços crônicos, como tosse persistente e constipação intestinal, que aumentam a pressão sobre o assoalho de forma repetida, além da obesidade, que sobrecarrega permanentemente a região.
Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o prolapso de órgãos pélvicos afeta entre 15% e 30% das mulheres com mais de 50 anos.
Por isso, é importante identificar os sinais precocemente para evitar a progressão da condição, que pode se apresentar em diferentes graus.
Graus do prolapso uterino: classificação e o que cada um significa
Os graus do prolapso uterino indicam o quanto o útero desceu em relação ao canal vaginal. Quanto maior o grau, mais avançada é a descida e, em geral, mais intensos os sintomas.
A classificação segue quatro estágios:
- Grau 1: o útero já desceu, mas ainda permanece dentro da vagina. Muitas vezes é assintomático e descoberto em exames de rotina.
- Grau 2: o colo do útero alcança a abertura vaginal. Os sintomas começam a aparecer, como a sensação de peso na região.
- Grau 3: o colo do útero ultrapassa a abertura da vagina, ficando visível externamente. O desconforto costuma ser significativo.
- Grau 4: ocorre a exteriorização total do útero, que sai completamente pela vagina. É a forma mais avançada e que mais afeta a qualidade de vida.
A progressão entre os graus não é inevitável quando há acompanhamento, mas tende a avançar quando a condição é ignorada.
Por isso, identificar a condição e em qual estágio o prolapso se encontra é o primeiro passo para definir o tratamento adequado, e isso começa pelo reconhecimento dos sintomas.
Sintomas do prolapso uterino
Os sintomas do prolapso uterino variam conforme o grau, mas há sinais que costumam se repetir e que merecem atenção. Os principais são:
- Sensação de peso ou pressão na região pélvica, como se algo estivesse "pesando" para baixo.
- Percepção de que algo está saindo pela vagina, sintoma clássico nos graus mais avançados.
- Dificuldade para urinar ou para evacuar, já que o útero deslocado pode comprimir bexiga e reto.
- Dor ou desconforto durante as relações sexuais, o que afeta diretamente a vida íntima.
- Incontinência urinária associada, com perda de urina ao tossir, espirrar ou fazer esforço, além de uma vontade urgente de ir ao banheiro, às vezes não chegando a tempo.
Esses sinais nem sempre aparecem todos juntos, e podem se intensificar ao longo do dia ou após esforço físico. A boa notícia é que o prolapso uterino tem tratamento, e é exatamente isso que vamos entender a seguir.
Prolapso uterino tem cura: o que esperar do tratamento
O tratamento do prolapso uterino é definido conforme o grau, a intensidade dos sintomas e o impacto na rotina da mulher. Nem todos os casos exigem cirurgia: nos graus iniciais, as abordagens conservadoras costumam resolver ou controlar bem a condição.
A fisioterapia do assoalho pélvico é uma das principais opções conservadoras. Por meio de exercícios específicos, ela fortalece a musculatura que sustenta o útero, melhora o suporte da região e reduz sintomas como a sensação de peso.

Outra alternativa são os pessários vaginais, pequenos dispositivos inseridos na vagina para apoiar o útero e mantê-lo na posição, indicados especialmente para mulheres que preferem evitar a cirurgia ou que não têm condições clínicas para operar.
Quando a cirurgia é indicada no prolapso uterino
A cirurgia para prolapso uterino é indicada em situações específicas, e não como primeira opção para todos os casos. Os principais critérios de indicação são os graus mais avançados (especialmente 3 e 4), a falha do tratamento conservador, o impacto significativo na qualidade de vida e a presença de sintomas urinários ou intestinais associados que não melhoram de outra forma.
Quando a cirurgia é necessária, a definição da melhor técnica é sempre individualizada e exige avaliação especializada. Dentre as principais abordagens cirúrgicas para tratamento do prolapso uterino estão:
- histerectomia vaginal com correção do assoalho pélvico;
- sacrocolpopexia;
- pexia vaginal em ligamento sacro-espinhal;
- técnicas de preservação uterina.
Para chegar a essa avaliação, é importante saber quando procurar ajuda.
Quando procurar o uroginecologista para investigar o prolapso uterino
Dentro da ginecologia existe uma área de atuação especialista em assoalho pélvico: o uroginecologista. Esse especialista cuida justamente dos prolapsos, além de manejar incontinências urinárias, infecções urinárias de repetição, dor pélvica crônica, entre outras patologias.
Vale procurar o uroginecologista diante sensação de peso na parte de baixo da barriga, a impressão de que "tem algo descendo" ou querendo sair pela vagina, dificuldade para urinar e evacuar ou dor durante a relação sexual sem causa aparente.
Buscar avaliação cedo amplia as chances de resolver a condição com medidas conservadoras, evitando que a cirurgia se torne necessária.
O prolapso uterino é tratável em qualquer grau, e o diagnóstico precoce é o que evita a progressão e as complicações. Da fisioterapia aos pessários, passando pelas opções cirúrgicas quando indicadas, há um caminho para cada situação.
Se você reconhece algum desses sinais, agende uma avaliação com um ginecologista especializado em assoalho pélvico. Quanto antes a investigação começa, mais simples e eficaz tende a ser o tratamento.
O Núcleo de Ginecologia do Hospital Sírio-Libanês conta com uma equipe de especialistas dedicada ao atendimento ginecológico de rotina e de pacientes com queixas como prolapso uterino, distúrbios do assoalho pélvico, incontinência urinária, sintomas do climatério e outras condições que afetam a saúde da mulher.
Saiba mais sobre o Núcleo de Ginecologia do Hospital Sírio-Libanês.
Texto validado por Dra. Paolinne Lima Silva CRM - 23884